2003. Canto




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Eduardo Prado Coelho,
Essaista


"Quem for capaz de ouvir a vos pelo forro queimado das gargantas, quem seguir o andamento nocturno de uma dicção de uma invulgar inteligência no reconhecimento das texturas verbais, e das emoções abrasantes que nella se recolhem, pode vir entender que nem sempre é do lado das feridas expostas que a dor á mais aguda. Mísia tem uma relação com o fado que toca o domínio da mística - e quase nos assusta." [+]


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Canto (2003)

Sobre o Álbum

Um trabalho inspirado na música de Carlos Paredes fazia parte da minha galeria de impossíveis. Nela armazeno discos nascidos dos quadros de Marc Rothko, cúmplices dos crimes esculturais de Louise Bourgeois, fugidos das fotografias de Francesca Woodman ou constrangidos pela culpa de Peter Handke. Sem esquecer Arsenii Tarkovskii e outros poetas incantáveis, ou talvez não... "Não me guiasse a agulha aérea viva pelo mundo como a uma linha".

Mais sensato seria continuar a minha maravilhosa e neurótica relação com o Fado. Ausente de qualquer sensatez acabei por fazer este disco em sete meses possuida pela fúria e ternura. De um lado a genialidade da obra de Paredes, do outro a resistência e responsabilidade do material.

Importava ouvir com atençaõ as "opiniões" do disco. Escolher o repertório seguindo uma linha de canto que só eu podia instintivamente escutar dentro de mim. Encontrar quem tivesse a sensibilidade e mestria necessárias, para recortar dentro da música versos de uma métrica imprevisível por irregular. Procurar o arranjador e produtor musical que entendesse o carácter erudito e popular, o lado português e a dimensão universal desta obra sem ferir a sua contemporâneidade e a sua autenticidade. Desafiar os meus guitarristas de Fado de Lisboa para tocarem numa linguagem musical que não a sua. Cantar sem caricaturar os temas em "fados à força", mas nunca negando a "alma fadista" que para sempre está na minha voz. Se o fado é "um modo sentir" e um "estado de espírito" este é sem dúvida um disco de Fados embora as músicas não o sejam.

Sempre soube que um "corpus" novo nasceria do encontro de todas estas particularidades creativas e nunca quis aproximar-me à duplicação inglória de uma estètica que só a Paredes pertence e da qual só ele e absolutamente mais ninguém, guarda o segredo para sempre.

"Canto" é uma prenda.

E só agora, com quase vinte e cinco anos de " palcos e farândula" estou preparada para dar em paz e sem mêdos. Agradeço a todos os que me ajudaram a fazer este disco.

Sinto-me especialmente devedora a Vasco Graça Moura, autor da maior parte dos poemas. Por escrever pela primeira vez para uma voz identificada, disponibilizando o seu talento e erudição poética, o seu raríssimo entendimento das necessidades métricas e prosódicas de um trabalho como este. Por mostrar uma elegante fidelidade à intençaõ de Paredes ora respeitando o passado do tema musical (António Marinheiro - Presságio de Alfama) ora incluindo referências nos seus poemas ao títulos das músicas (Canção para Titi- Tia Minha Gentil). Enfim, escrevendo com uma tão desgarradora beleza que sinto ter crescido como ser humano ao cantar as suas palavras desde um fundo de mim que eu desconhecia existir. A Sérgio Godinho (autor do meu primeiro fado inédito, há 13 anos) pela insuperável acuidade e qualidade do seu texto para Raíz e pelo afecto que o motivou. Obrigada Sérgio. E poder cantar um "clássico" como Verdes Anos de Pedro Tamen, é, só por si, um motivo de gratidão ao seu autor. Obrigada também a Henri Agnel, músico especialista em música Árabe e do Renascimento, companheiro de tournées francesas de Paredes e conhecedor da sua música há trinta anos, pela emoção e riqueza dos arranjos musicais. Ouvimos o ritmo da dança oriental " baladi" do sul do Egipto (Nubia) na Cançaõ para Titi, o ritmo persa "da mãe" ou "do bater do coração" no início de Raíz seguido de uma dança renascentista. Numa afinação medieval surge o cistre da corte isabelina (antepassado da guitarra portuguesa segundo alguns) na improvisação de Ah Não II. Sons sofisticados do quinteto solista da Camerata de la Bourgogne em perfeita convivência com a nossa guitarra e viola de fado de Lisboa.

Este meu "Canto" é para Carlos Paredes e nele ficou o que de melhor encontrei para lhe oferecer.

Não saberei nunca se "o músico" teria gostado deste disco mas quero acreditar que o seu coração generoso algum dia no Tempo sentirá o carinho e veneração com que este trabalho foi pensado, sentido e feito.

Mísia

Nota

Projecto inédito de encontro de diferentes linguagens artísticas, inspirado na música de Carlos Paredes. Poemas de Vasco Graça Moura, Sérgio Godinho e Pedro Tamen. Colaboração dos fieis guitarristas de Fado da artista e o seu violinista, sob a direcção do produtor e arranjador musical Henri Agnel. Participação do quinteto solista da Camarata de la Bourgogne.

Télérama FFF, França & Prémio da Crítica alemão dos Fonogramas, Alemanha.


Tracklisting

Duração: 47'03

01. Presságios De Alfama (4'32)
02. Sem Saber (3'20)
03. Lamento Das Rosas Bravas (3'30)
04. Tia Minha Gentil (4'24)
05. Ah Não (3'21)
06. Canção De Alcipe (3'09)
07. Nenhum Sonho Se Entrega A Chegada (3'36)
08. Horas De Breu (3'52)
09. Valsa Das Sombras (4'09)
10. Verdes Anos (3'55)
11. Tim Tim Por Tim Tim (2'56)
12. Ah Não II (3'30)
13. Balada De Coimbra (3'15)

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Fotos

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© CB Aragão