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Nasceu um dia (18) de Junho, na cidade do Porto, fruto de um caso de amor sem a bênção de bons presságios: pai engenheiro, educado numa burguesia que nunca veria com bons olhos o passado artístico colorido e saleroso da mãe bailarina, espanhola, habituada a enquadramentos sociais menos formais. A menina, Susana, começa assim a sua estranha forma de vida, entre dois mundos. Fado de início, para continuar anos fora.
Boa aluna, mesmo dividida entre os dois lados da barreira, já com cada progenitor de costas viradas. Mas os interesses da jovem são muitos: letras, filosofia, talvez as artes. Falaram mais alto as artes... e Espanha, opção natural para quem procurava outros ares. Mudou para terras do lado de lá da fronteira, assentou arraiais em Barcelona. Abrem-se então os panos dos palcos, de muitos palcos, em ruas boémias e canções de engate, cafés nocturnos, espectáculos em que se variam as músicas.
Era já Mísia, uma influência da avó, figura que sempre lhe faz nascer um sorriso nos lábios, como quem lembra uma fada de força maior. A artista em formação trabalhava tanto que aprendia músicas ao ritmo frenético e ávido da "Broadway" de las calles mayores de Catalunha, sem nunca parar. Era conhecida pela versatilidade; hoje um programa de rádio, amanhã uma pantalha de televison, tudo ao som dos reportórios internacionais, cantando uma torre de babel de idiomas e influências sonoras. As coisas até corriam bem, mas cansou-se.
Mutatis, mutandis. Ala para Madrid, começar de novo, procurar outras coisas. Período das viagens entre um show e outro, uma paragem geográfica e a seguinte. Talvez fosse o desassossego de querer mais, talvez a necessidade de aprender o que só os livros lhe davam, no meio do ruído e dos brilhos exagerados dessas noites longas de cabarés dourados e salas de cantigas cheias de fumos e gargalhadas abertas. Não bastava, como sempre.
Neste procura, surgiram um dias as raízes do passado que parecia distante, o fado popular das ruas mais típicas da cidade invictamente paterna. O Porto, um porto... de abrigo, pausa para a viagem. Seria este o caminho mais certo? Cruzou de novo a fronteira e o futuro. Voltou, malas feitas e os olhos a sonhar, como sempre. Reinício, take número... (a quem é que interessam as estatísticas? Somos gente... apenas). Decidida a procurar a paz das raízes, de uma cultura que poderia finalmente situá-la entre pares, fazê-la partilhar um grupo. A intenção era boa, mas as concretizações deram que falar. Quem era aquela jovem de franja negra e olhos intensos que aparecia assim desta forma, a querer saber o que era o fado sem pedir licença a ninguém. Buscando a verdadeira tradição, sem se render à evidência nem confundindo o genuíno com o conservador ou reaccionário... Uma nova barreira para saltar: entre os que viam o fado como mácula de um regime desfeito a toque de cravos e os que se espantavam pelo ar arrojado desta mulher de pele branca, cabelo preto, olhos em arco, às vezes de espanto.
Encontrou as respostas (ou o princípio das respostas, porque as perguntas não ficaram por ali) na mudança que os tempos tinham trazido a esta expressão musical urbana, onde cada tempo e voz tinham deixado marca. Das origens mais formais foi buscar sustentação para lançar outros voos. Juntou sonoridades (instrumentos que este género não ouvia há muitos anos - o violoncelo ou o acordeão; o piano de vagares aristocráticos, quando o fado ainda era de salão). E principalmente, descobriu um mundo novo de palavras, um tesouro de frases sem rima obrigatória mas liberdades poéticas. Círculo literário a que se vão juntando os mais importantes nomes da literatura portuguesa: Lídia Jorge, Mário Cláudio, Eduardo Prado Coelho, Vasco Graça Moura, Agustina, Saramago.
Os discos sucediam-se: 1991, "Mísia", de nome próprio, "Fado, em 93", "Tanto menos, tanto mais", a meio da década, já vivida - novamente - entre chegadas e partidas internacionais. Embaixadora da voz, segue com Garras dos Sentidos (98), distinguido com o prémio Charles Cros, disco que se arrisca a arranjos com os tais instrumentos ainda não usados neste género musical. Maria João Pires acompanha-a no disco lançado quase de imediato, "Paixões Diagonais" que cruza muitas estreias de autores nesta área, tantos nas melodias como nas letras. A nova década, porém, dá lugar à tradição. Quer fazer uma evocação às casas de fado, aos textos populares, e grava Ritual (em 2001), como se estivesse a fazer apresentações ao vivo, cada canção de uma vez só. Carlos Paredes e as suas melodias, que Mísia enche das palavras comovidas de uma verdadeira homenagem ao mestre da guitarra, dão corpo a "Canto", em 2003, premiado pela crítica especializada na Alemanha.
Cada registo saía em novos pontos do globo, dava origem a outros concertos, e mais palcos em pontos do mundo nunca antes navegados pelo fado. Uma redescoberta do Japão à Argentina, passando pela Espanha, pela França (que a condecorará mais tarde pela relevância artística da carreira). As nuvens de outras histórias e tradições pintam os céus de influências: mescla tango, bolero e fado num "Drama Box" (gravado em 2005) repleto de afectos sonoros e cumplicidades artísticas: Fanny Ardant, Miranda Richardson, Ute Lemper, Carmen Maura, Maria de Medeiros e Sophia Calle participam no projecto, depressa transformado em espectáculo ao vivo. Esta procura das emoções que ilustram o "fado" de outras culturas (fatum, relação trágica com o destino, como explica Mísia) estão aliás agora bem presentes nestas Ruas (de 2009) mostradas a todos. Entre Lisboa (o bairro virado para o rio, os passeios de pedras brancas, os amigos) e o resto do universo. Como sempre.
António Ramos
RUAS
do nosso fado
Mísia voltou com um disco duplo - talvez pudéssemos dizer com propriedade dois discos juntos no mesmo projecto - cheio de RUAS. Umas viradas para o Tejo (Lisboarium), outras apontando para o mundo que continua a cruzar em todas os meridianos (& Tourists). Encontrou fado em canções que nada têm a ver com este género, procurou como sempre palavras novas para temas musicais tradicionais, à margem do tempo (e dos conservadorismos). Um motivo para a conversa, entre Lisboa e Paris (onde vive actualmente), com as teclas do computador pelo meio. Sinal dos tempos e das mudanças.
Comecemos pelo princípio. Mísia. O som é familiar para tantos que conhecem a cantora que um dia abalou o fado com uma "estranha forma de estar". No entanto, passados os anos e os novos ouvintes, ainda há quem pergunte de onde veio tal nome:

Surgiu da leitura da biografia de "Misia Sert", feita quando ainda não tinha discos nem pensava sequer em gravar. A necessidade de escolher um nome surgiu por eu ser filha de mãe artista e espanhola e por achar que um apelido espanhol não ficaria bem para cantar Fado. O sobrenome do meu pai, sendo a minha mãe artista, não me parecia lógico (ainda por cima porque ele não gostava muito de música..). Mísia é um diminutivo polaco e pode também significar "ursinho de peluche", "querida", "doce", etc. Quando vou cantar à Polónia chamam-me "a nossa Mísia Portuguesa"...
 (*Maria Zofia Olga Zenajda Godebska, 1872 - 1950, de ascendência polaca, conhecida pianista e patrona das artes, cujo salão era frequentado pelos mais importantes nomes do meio cultural da época. Musa inspiradora para artistas como Renoir e Lautrec, entre outros que fizeram o seu retrato)
Quando vieste para Portugal e começaste o percurso pelos meios do Fado, deste logo que falar. Era o discurso, já elabora sobre a procura do significado do fado, da sua importância cultural, por um lado, mas também a tua imagem, nada convencional, para essa altura. Lembro-me até de alguém que dizia, ao marcar comigo uma entrevista, "vai ver, a Mísia é diferente!". Havia a franja, claro, mas também um look mais arejado, não convencional. Hoje ninguém notava, porque os hábitos e as modas mudaram, mas em 91 era inesperado.

A forma externa é a expressão do conteúdo. A minha imagem é o que eu sou e como eu sou. Não me dá nenhum trabalho nem exige esforço, é algo natural. Devo dizer que é tão natural para mim ser como sou como para os outros serem como eles são. Nasci e vivi num ambiente teatral e artificial, portanto eu sou assim. Não me passa pela ideia disfarçar-me de alguém "natural", seria contra-natura para mim. Contrapor a minha imagem ao meu trabalho artístico é um contra-senso: não são duas coisas separadas, eu não me disfarço para ir para um palco. Arranjo-me tal como todos os artistas se arranjam. Penso sempre no Almada Negreiros, com aquelas calças fantásticas, quando leio esses comentários. A imagem das pessoas é o que elas são (a não ser que seja produto de um gabinete especializado na área). As crianças quando escolhem a roupa de que gostam já estão a criar a sua aparência. O facto de uma imagem ser mais "sofisticada ou diferente" não quer dizer que seja menos autêntica. Há pessoas que passam imenso tempo diante do espelho para terem um "look" natural. Eu arranjo-me em 15 minutos para um concerto. E a franja é a única coisa que não mudou, às vezes até sou própria que a corto, com o nervosinho do concerto à porta.
Para lá do lado público que se mostra no palco, como é a pessoa por detrás da cantora? Conhecem-te os gostos literários e artísticos, há quem ache mesmo um certo pendor intelectual nas tuas entrevistas, porque falas muito em ideias, poetas, conceitos, pesquisas musicais...

Mas eu até revelo bastante de mim, da minha família, das minhas raízes e percurso... os lados bons, os menos bons, os maus, que acontecem a todos nós na vida. Interessa-me mais falar, quando abordo o meu trabalho, de algumas opções fundamentais, dos poetas que trouxe para o fado, das palavras que cantei, do seu significado. Mas claro que há "alguém" de carne e osso por trás disto. E se pedes uma resposta, diria que sou uma pessoa que procura, de uma forma bulímica, a compreensão e o conhecimento do mundo, das pessoas, dos animais, das coisas e das ideias. O que me leva a entrar cheia de curiosidade nas lojas mais pirosas do mundo e a ler ensaios de filosofia. O que me leva a ir ao Big Show Sic e no entanto ser às vezes considerada uma uma intelectual (??!!).... sem ter nenhum curso de Universidade. Estou em constante evolução, sou uma coisa e outra e mais outra, recuso a amputação, não serei nunca uma SÓ coisa OU outra. Sou cantora para tentar compreender e falar da vida. Posso parecer muitas vezes frívola e ligeira, mas isso acontece para poupar aos outros a minha natureza grave e "dark", o meu lado das angústias e dúvidas. O lado solar: sou corajosa e fiel. Sou cada vez menos irascível, com o passar dos anos vou encontrando um equilíbrio possível. Sou territorial, não ciumenta. Sou muito humilde ante elogios e condecorações, sobranceira e indomável face às críticas destrutivas - mesmo se as analiso para tentar descobrir algo de novo. Sou muito forte e muito frágil, como qualquer sobrevivente. Posso ser furiosa, mas nunca maldosa ou vingativa. Não sofro de inveja, porque acho que ninguém tira nada a ninguém, mas doem-me as injustiças, sobretudo se vêm do meu país. Tento ser melhor todos os dias, acho que tenho muitos defeitos a corrigir...
gosto de aprender com as pessoas mais velhas. Admiro os heróis anónimos, mais do que os grandes nomes da História. Não suporto a prepotência contra os mais vulneráveis, sou temerária e por vezes até demasiado espontânea e frontal. Desconfio da naturalidade, acho que é uma pose das mais irritantes que existem, como dizia Oscar Wilde. Prefiro as pessoas autênticas e genuínas às pessoas "naturais". Gosto de pessoas com personalidade forte (como eu) pois temo a tirania dos frágeis.
Disseste-me uma vez que lias pequenas histórias de vida e tiravas grandes lições (lembras-te até da ideia de fazer letras a partir de notícias de jornal, cenas de verdadeiro fado). A tua vida, depois de cada concerto, é também uma pequena história de vida? Por exemplo, o que é que gostas de fazer quando estás em casa, e não tens de fazer a mala muito depressa para a próxima paragem?

Tudo o que não consigo fazer quando estou em tournée. Não poderia passar o ano só a fazer concertos e viajar. Preciso de alimentar a minha vida pessoal para depois pôr isso no meu trabalho. Faço coisas simples, como namorar, regar as plantas, acender velas, ler, estar com os meus amigos que estão em diferentes países, fico com os meus animais, vejo algumas exposições e espectáculos, gosto de cozinhar, de ver filmes, de viajar... Namorar outra vez... Sobretudo, o que tento fazer é abrandar o ritmo louco de uma vida de viagens nos últimos 20 anos. Se este meu lado quotidiano tem sementes de fado... talvez, como acontecerá como com outras tantas vidas que se cruzam com a minha, com a de toda a gente. No meu caso, claro que há mesclas, cada abordagem, cada olhar, cada acontecimento pode influenciar o meu percurso também a nível artístico.
Desde o início da tua carreira como fadista, que procuras, com recurso às mais diversas fontes de estudo, a tradição deste género musical. No entanto, assumiste também muito depressa a mudança, quer através de novas palavras e autores para o fado, quer usando instrumentações mais ricas, quer até pela interpretação de temas que não tinha nada a ver com esta área.

Não mudar seria a verdadeira inovação! Mudar foi, é, e será sempre a tradição numa música urbana como o fado. Este género musical, desde o princípio, sempre mudou - é algo intrínseco à sua condição urbana. Não existe arte sem contaminação, evolução, etc. Comparem o fado no tempo da Severa ao fado no tempo da Amália e agora... Claro que sempre houve espíritos mais livres e pioneiros..... outros consensuais e menos arriscados. Amália continua a ser a grande inovadora, muito mais subversiva e singular que a nova geração.
Ao fim de vários anos no país, saíste para fixar residência em Paris, ainda outro vi uma foto em que surgias sentada à secretária, no teu espaço de trabalho (Sardine Souriante), e reparei logo nas fotos de famílias, nas imagens que levaste (enfim haverá coisas que não mudam). E agora apareces com um disco que mistura Ruas, umas com vista para o Tejo, outras do mundo que atravessas em todas as direcções (até musicais). Lisboa vista ao longe é...

Uma inspiração. E de certa forma um passado
E o segundo disco, em que cantas autores e estilos talvez surpreendentes para os mais desatentos?

"&Turists" é o que eu encontro de "fatum" (assumido no sentido de relação trágica com o destino) nas músicas, nos artistas de outras proveniências. Gosto de sentir os signos universais da nossa cultura noutros países. O que quer dizer que estes temas, salvaguardando todas as distâncias são fados e os seus autores ou intérpretes são, de alguma forma, fadistas de outros lugares. Geograficamente, e no que diz respeito a géneros musicais, fiz uma grande viagem, mas os sentimentos que são cantados neste disco "& Tourists" são os mesmos dos fados que sempre cantei!
Cada disco é um recomeço? Para onde queres ir, Mísia?

Não tenho nenhum plano ou direcção artística claramente fixada ou que me obrigue a limitar-me. Em 1990 acreditava numa visão do fado, que queria pôr em prática e fi-lo, antes ainda de haver público para tal. Orgulho-me de ter sido a primeira a cantar nos palcos onde a Amália tinha estado quinze ou vinte anos antes. Também sei que foi importante ter levado o fado a países onde nunca tinha sido ouvido anteriormente. Trabalhei com interlocutores como Sophie Calle, Maria João Pires, José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Maria Bethânia, William Christie, entre muitos outros nomes importantes na cultura. Está feito, é um percurso. Poderia hoje fechar a porta, ou continuar a declinar o mesmo disco, tal como alguns escritores que escrevem o mesmo livro toda a vida. Mas continuo cada dia a acordar com novas ideias para discos de fado, que poderei talvez vir a pôr em execução. Estou, ao fim de tudo isto, em paz. Nada tenho a provar, embora continue tão curiosa como sempre. No futuro quer fazer absolutamente tudo aquilo que me apetecer, dentro dos limites das minhas capacidades artísticas, evidentemente. Fazer outras coisas não desfaz o que já fiz, não deixei de ser quem era. Mas ao mesmo tempo já não sou exactamente a mesma. A vida acontece-nos e transforma-nos.
Ainda és fadista, ou uma intérprete que também canta fado?

Ser fadista também é ser uma intérprete... "A Mísia é uma excelente intérprete de fado", disse o querido Carlos Zel. Eu acho que na "mentira" da interpretação (o poeta é um fingidor), nesta forma de dar vida nova às coisas e de as carregar de novas emoções, está a minha grande verdade. Gosto de ser intérprete, mas não só do fado. Claro que... cada vez que algum português me grita: ah, fadista!!!. Oopss, lá vou eu em voo picado até à lua...
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CONDECORAÇÕES & PRÉMIOS
2011 » Ordem das Artes e das Letras (Officier), FR

2010 » Prémio Renato Carosone, IT

2009 » Disco "Ruas"

2005 » Ordem do Mérito, PT » Disco "Drama Box"

2004 » Grande Medalha Vermelha da Cidade de Paris » Ordem das Artes e das Letras (Chevalier), FR » Prémio da Crítica alemão dos Fonogramas, DE » Festival International du Film d'Art et » Pédagogique - (Le Fado de Misia de » Carmen Castillo), FR

2003 » Disco "Canto"

2001 » Disco "Ritual"

1999 » Disco "Paixões Diagonais"

1998 » Disco de Prata, Garras dos Sentidos, PT » Disco "Garras dos Sentidos"

1997 » Assinatura Detour/Warner

1996 » Prémio da Academia Charles Cros, FR
SALAS ONDE O FADO FOI APRESENTADO, EM PRIMEIRA MÃO, POR MÍSIA
Philarmonie Berlim, Alemanha

Alter Oper Frankfurt, Alemanha

Musikhalle Hamburgo, Alemanha

Festival de Jazz de Montreux Montreux, Suiça

Grande Cour d'Honneur du Palais des Papes Festival d'Avignon, França

Teatro Nacional Maria Guerrero Madrid, Espanha

Palácio de Congressos Madrid, Espanhav

Festival El Grec Barcelona, Espanha

Grande Auditório da Culturgest Lisboa, Portugal

Festival de Capuchos Portugal

Théâtre des Champs Elysées Paris, França

Maison des Cultures du Monde Paris, França

Théâtre du Châtelet Paris, França

Womad Festival Adelaide, Austrália

Midem Cannes, França

Konzerhaus Vienne, Autria

Berkeley Performance Boston, EUA

Cleveland Museum of Art Cleveland, EUA

Helsinki Finlândia

Listner Audiotorium Washington, EUA

Ravinia Jazz Festival Chicago, EUA

Dranouter Festival Dranouter, Bélgica

Teatro Gral. San Martín Buenos Aires, Argentina

Palais des Beaux Arts Bruxelas, Bélgica

Flagey Bruxelas, Bélgica

Le Carré Amsterdão, Holanda
COLABORAÇÕES DE MÍSIA
Isabelle Huppert Actriz

Patrice Leconte Realizador

Sophie Calle Fotógrafa

Fanny Ardant Actriz

Maria de Medeiros Actriz

Agnès Jaoui Actriz

Ute Lemper Cantora

Gilbert & George Artistas Plásticos

Bela Silva Pintora & Ceramista

Maria João Pires Pianista

Bill T. Jones Bailarino & Coreógrafo

Maria Bethânia Cantora

Carmen Maura Actriz

Miranda Richardson Actriz

Angélique Ionatos Cantora

Sérgio Godinho Poeta & Compositor

Amélia Muge Poeta & Compositora

Adriana Calcanhoto Cantora

Júlio Pomar Pintor

Arman Pintor

Manuel Paulo Músico & Produtor

Jorge Palma Compositor & Autor

Vitorino Produtor & Compositor

Ricardo Dias Músico & Produtor

Padma Subramanian Bailarina
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